Por Estradas dos Pensamentos

Saturday, April 29, 2006

Jesus Cristo o Heroi e Deus

Jesus Cristo

Heróis sempre os houve, sempre os haverá. Houve até uma época inteira deles, a época dos cavaleiros, daqueles que Miguel Cervantes imortalizou na figura de Don Quixote e sua Dulcineia. Que essas damas fossem moinhos de vento ou lavradeiras, tanto fazia, logo que o cavaleiro usasse para com elas do maior cavalheirismo.

Com esta visão do homem herói como pano de fundo, medito na heróica morte de Jesus Cristo. Quem dos heróis escolheria uma morte entre ladrões e tomasse na cruz até o lugar de Barrabás, um assassino? Essa forma ingloriosa de morrer hoje em dia seria mesmo a cadeira eléctrica; uma morte ignominiosa, em nada digna
do Rei dos Reis.

Ao ladrão à sua direita, Jesus chega mesmo a prometer-lhe o paraíso. Que homem e Deus era esse? Como se pôde associar-se a ladrões, leprosos, marginalizados, gente de má vida, à escumalha da sociedade de então?

Quantos heróis se prontificariam a morrer por causa tão fútil, a do Amor ao Próximo?

Acreditanto sinceramente que Cristo foi, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sei que foi devido ao seu Amor, ou “Agapé” que ele, sendo Deus se fez homem. Como Deus, quis provar em si a condição humana, desde o berço de palha onde nasceu, até à cruz. Por esse Amor, colocou-se ao lado da humanidade mais desprezível para a salvar, da mesma forma que um pai ou uma mãe, por pior que sejam os filhos, os acompanham, os tentam ajudar e a encobrir.


Depois, choca-me a maneira como no nosso Credo, num só fôlego, fazemos Cristo nascer no seio da Virgem Maria para logo a seguir o fazer padecer sobre Pôncio Pilatos; para o deixar morrer tão depressa como nasceu; descer aos mortos esubir aos Céus em três dias.

Quem se lembra também mencionar em credo que ele também foi aquele que transformou a água em vinho; curou os leprosos, deu esperança aos aflitos, luz aos cegos; ressuscitou os mortos, e anunciou o Reino de Deus. Mestre, ele aprendeu e ensinou, pregou, celebrou o espírito de Deus em si. A sua vida,realmente, foi tão importante como a sua morte. Ele foi uma cartilha viva para a humanidade. A sua morte a lição final para todos os tempos e todas as gerações.


De certo, ao contrário do Credo que rezamos, Ele fez mais do que nascer e morrer como Deus, como mágico de Hamlin, por aqui passar, juntar o seu rebanho e subir aos Céus, para aí se sentar à direita de Deus à espera do fim do espectáculo. Não, ele também, pelo direito da sua encarnação, senta-se connosco, está connosco até ao fim dos tempos. Tornou-se naquele que nos representa, conhece o nosso íntimo, em quem estamos espiritualmente configurados numa nova criação.


Como São Paulo já dizia “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.” Mente de todas as mentes, coração de todos os corações, ele é a medida de todas as medidas humanas, a “Windows” ou o “Interface Manager” de todos os tempos. Ele é o caminho e a verdade. Ninguém vai ao Pai senão por ele e através dele, essa a realidade. Assim, ele não deve ser lembrado apenas pelo seu sofrimento e morte, mas sim pela sua Vida, uma Vida em cujo os moldes a morte não cabe.

Quanto ao momento da cruz em si, é o momento ainda mais importante do que aquele da sua Transfiguração. Ali é que se efectua o pacto entre Deus e o homem, a transformação da pessoa de Jesus Cristo, filho de Maria, na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Nesse contexto, a Cruz é, deveras, o ponto de encontro entre o homem, Jesus Cristo e o Deus em si. Isso é, num mundo imperfeito e causal, Cristo atinge a sua maturidade divina na Cruz. Ele entrega-se, Jesus, homem que é, nas mãos de Deus, seu Pai, seu próprio Ser.

Nenhum ser perfeito pode atingir a sua perfeição nesta realidade sem subverter essa mesma criação. A ápice da perfeição não cabe neste mundo, tanto quanto um oceano não cabe num cálice ou o universo dentro do sol, a própria luz na treva,na informática, um programa de “Windows” num programa de “Atari” ou de“Apple”, ou etc.

Assim, se ele não tivesse escolhido o seu próprio modo de morrer, morreria à mesma. Já no Jardim das Oliveiras ele suava sangue; pedia que o Pai lhe afastasse o cálice. Homem, ele pressentia que a sua natureza divina se intensificava e como tal sabia chegada a sua hora.

Portanto, aos sofistas de hoje em dia, que tentam convencer que Cristo não morreu na cruz, têm, realmente muita razão. Um Deus não morre; um Deus escolhe a morte para sua Glória. Não o mataram os pregos, nem as múltiplas feridas e escoriações, as chagas das mãos e pés, nem tão pouco onde o trespassaram com uma lança. O que o matou, foi a sua própria divindade, pois um Deus todo perfeito, omnipresente, omnipotente, infinito e eterno não cabia no seu corpo.


Em suma, se compararmos o momento da cruz ao momento em que um projéctil atómico atinge o núcleo de um simples átomo, temos o momento ímpar em que toda a criação se encadeia; quando o fim se torna no princípio; a vida escapole à morte, a treva é arrasada pela luz; o momento chave de toda a verdade, de toda a
luz e de toda a existência.

Todos nós Cristãos hoje em dia somos produtos dessa radioactividade do Calvário. Foi aí que a fusão de duas naturezas distintas, a do homem e a de Deus e vice-versa se reuniram na Aliança de Amor e de Perdão única em toda a história humana e do Espírito que nos marcam, nos marcarão até ao fim dos tempos, ou quando cada um de nós nos formos gradualmente da lei da vida pela morte nos libertando.

Silvério Gabriel de Melo
Terceira, Açores

O Espirito Santo

O Espírito Santo

A semana passada fomos, eu e a minha esposa a uma sessão de Espiritismo. Rodeados de um ambiente New Age por todo o lado nesta ilha somos confrontados com novas tendências, desde aos párocos self-made às práticas de mezinhas e love potions. É de tal forma a preponderância de novas doutrinas e novas tendências, combinadas com a lassitude e desinteresse Cristão que nos julgamos na Califórnia esotérica, hippie e descabeçada.

Os Açores conseguiu assim um novo visual espiritual que combina com as grandes transformações na sociedade ilhota em que vivemos. Até está na moda o dizer-se que se não é Católico ou Cristão praticante. A afirmação até pelos membros de governo e pessoas de nível social muito alto, é tão comum senão mais comum do que o Pai-Nosso. Muitos com orgulho e propácia se afirmam não acreditar em nada ou de se não importarem. Deístas não faltam, porque ser-se até ateísta hoje em dia já nem impressiona, nem convence. Portanto é-se deísta, panteísta, sofista, diabos a quatro, mas ser Cristão é algo que pouco brio e lustre traga. É o mesmo que dizer-se que se é Marrano em tempos de Inquisição. Para o fino e melhor é preferível dizer-se não alinhar, não registar e outros vocábulos plásticos na moda nesta nossa sociedade de chiclé colorido e perfumado que se mastiga como as vacas nos pastos.

Devo dizer à partida que amigos nossos por quem temos um alto conceito inspiraram-nos a querermos conhecer um pouco mais sobre o Espiritismo. Para já o ano passado durante a noite vieram-nos apresentar uma rodela negra no nosso relvado e daí em diante pela calada da noite, a horas de ladrões e de assassínos aspergiam o que quer que fosse pelo chão à entrada da casa. Para muita gente é até apenas uma forma de Justiça da Noite à sua maneira; é uma forma de dar liberdade à raiva, à inveja, ao despeito—coitados. Um cenário primitivo de gente das cavernas de feitiços e feiticeiras, essa forma de espiritismo à Macumba, de vodoo e de fenómenos extrasensoriais despertou em nós curiosidade e segundo os nossos conhecidos que nos garantem que o Espiritismo consta de algo mais nobre e mais salutar, acedemos à curiosidade e por aí fomos. Quarta-feira cancelamos tudo e fomos ao Centro Cultural de Angra para aprendermos um pouco mais sobre o Espiritismo.

De partida, nós que acreditamos na comunicação dos Santos e no mundo que há-de vir, que já existe de algum maneira, pela fé contíguo ao nosso, assistimos à sessão de espírito aberto. Afinal, foi na humildade que Cristo assentou a sua própria doutrina e para mais se falam em Cristo é porque há algo nesse movimento que merece ser ouvido. Aliás tenho um grande respeito pelos Mormons e outras denominações pelo grau de fé e de convicção que tocam na pessoa de Cristo. Capacitado como Cristo estava de que quem não é contra ele, é pois do lado dele, por isso tudo bem, aceitamos o chamamento. Pelo Espirito tudo é possível e quem somos nós humanos para interpretarmos o que quer que for senão pela Fé.Pediram-nos que formulassemos algumas perguntas no fim para que a autoridade convidada pudesse responder. Escrevi duas perguntas; uma incluía um comentário, “Se até os cientistas se capacitam que cada vez que descobrem algo novo, cada vez reconhecem desconhecer mais do que conhecem, que novas descobertas revelam novas dúvidas; que nem tudo está definitivamente explicado—o próprio telescópio de Hobble é um exemplo, em que devido à nova técnica temos imagens do universo que nos estão a fazer repensar muito sobre a forma em que esse universo é constituído. Em outras palavras reconhecemos que apesar de todos os conhecimentos a nível da ciência não temos a formula final para toda a realidade.” A pergunta foi pois, se temos problemas em conhecer toda a realidade física, visível, como poderemos fazer afirmações categóricas sobre o mundo invisível?Como meti o pés entre as mãos, a pergunta confusa não mereceu ser mencionada em público, ficou para outro dia. A minha segunda pergunta era como se reconciliava a noção dos dons do Espirito Santo e o Espiritismo? A essa, foi a vez do apresentador meter os pés entre as mãos e passar a falar das Festas do Espírito Santo na ilha, no exagêro hedonístico da juventude, no consumo do alcoól e droga que está a levar a sociedade à perdição.

Fiquei esperando para que nos permitissem uma sessão de perguntas e comentários em secção aberta, mas tal não aconteceu. Então quando o tal apresentador deixou o púlpito, passei eu a cumprimentá-lo e a repetir a pergunta. Fi-lo compreender que o que estava interessado era nos dons do Espírito Santo, se esses não encabeçavam o Espiristismo como uma realidade surprema que explicaria todo o fenómeno de falar línguas, contactar com os Espiritos, etc.? O Senhor primeiramente voltou a reiterar que “as Festas,” ao que eu afirmei, que não estava interessado nas festas, mas sim no Poder ou Realidade do Espirito Santo, ao que ele olhando à sua roda e sabendo-nos isolados afirmou que “Nós não acreditamos no Espirito Santo. Os espiritos bastam.” Bem, com essa golada como soco no estômago, fiquei eu para trás e deixei-lo passar. Para mim, quem não acredita no Espirito Santo, não acreita em Cristo e não acredita em Deus, tão fácil como isso.

À pergunta se “Foi o ovo ou a galinha?” sabemos bem que estamos perante um mistério de gênese. A Trindade é uma realidade tão básica como isso; tão fácil como a H2O ser água, a combinação de oxigênio e hidrogênio virar a gêlo, virar a vapôr e a chuva se fôr preciso; a luz do Sol ser do Sol e de si mesma ao mesmo tempo, e toda a Vida sobre a Terra ser uma expressão dessa luz e da água num elã misterioso que compõe uma realidade tão simples e tão difícil como a pergunta de “Quem foi primeiro, o ovo ou a galinha?” que mutuamente se impõem, incluiem como se excluiem.

Ora Deus criou a criação e não vice-versa. O Espírito da mesma forma como força criadora não depende de Espírito algum para sua essência. Cristo, que eu saiba deu aos porcos a honra passageira de domicilio para os espiritos e fê-los todos saltar um barranco. Até que, já Espirito perfeito foi o próprio Lucifer. O problema dele como de muito “espirito,” hoje em dia é esse mesmo, terem uma vontade maior do que o respeito e Amor por Deus. A sua vontade e sua sabedoria quer sobrepôr e ultrapassar aquela do próprio Criador.Pois acredito firmamente que , quem vê o Espirito Santo vê Cristo e quem vê Cristo vê o Pai; os três uma realidade tão única e tão igual que simplesmente nos dão voltas à cabeça. Para mim quer um Deus que me faça isso e não um Deus que tenha sido criado à minha imagem e semelhança. Imaginem as formigas quererem formular todo o conhecimento que possam adquirir do mundo humano pelos seus sentidos, por cheiros e vibrações!

Da mesma forma querer explicar o mundo de Deus pela ciência é coisa que não consigo encabeçar. Isso é, quando o espiritismo através de Allan Kardek quer convencer que pelo método científico se podem explicar realidades sobrenaturais, já fiz a minha prova, falta-lhes o Espirito Santo, é só.

Silvério Gabriel de Melo